quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

“EM MEIO À CRISE HÍDRICA, MINERODUTOS UTILIZAM ÁGUA DOS RIOS PARA LEVAR POLPA DE FERRO AO PORTO”

A seca prolongada ameaça o abastecimento de água e energia elétrica, mas a CRISE HÍDRICA passa longe das atividades de mineração em MINAS GERAIS. Os minerodutos – tubulações que levam o minério de ferro em estado arenoso misturado com água, como se fosse uma polpa – operam a todo vapor, e novos projetos estão em andamento, sinalizando para a continuação do desperdício de um recurso precioso.

Os quatro projetos de mineração do Estado que têm dutos para o transporte do ferro contam com uma outorga de captação de água suficiente para suprir uma cidade de 1,6 milhão de habitantes. O uso de água pelos minerodutos chama a atenção porque muitas vezes não há o reaproveitamento do recurso hídrico, que é descartado no mar.

Os volumes de água utilizados pelos minerodutos não foram informados, mas, caso as três outras empresas com minerodutos em operação ou em licenciamento ambiental no Estado utilizem a mesma proporção de um terço da outorga para uso no transporte via dutos, seriam 3.711 m3 por hora de água retirada dos mananciais mineiros que teriam como destino o descarte no mar. Esse volume equivale a 3,711 milhões de litros de água por hora, e é suficiente para abastecer um município com 558 mil habitantes, mais do que a população de 546 mil pessoas de JUIZ DE FORA, a quarta cidade mais populosa de MINAS GERAIS.


 A conta considera o diagnóstico dos SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO DO SISTEMA NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOBRE SANEAMENTO, do MINISTÉRIO DAS CIDADES, que apontou um consumo médio per capita de água, em MINAS GERAIS, de 159 litros por dia, ou 4.782 litros mensais.

Atualmente, quatro minerodutos estão em operação com captação de água em rios de MINAS GERAIS (três da SAMARCO e um da ANGLO AMERICAN) e outros dois (FERROUS e MANABI) estão em fase de licenciamento ambiental junto ao INSTITUTO BRASILEIRO DE MEIO AMBIENTE (IBAMA). A permissão para captação de água nos cursos de água é concedida pelo INSTITUTO MINEIRO DE GESTÃO DE ÁGUAS (IGAM), órgão subordinado à SECRETARIA DE ESTADO DE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL (SEMAD).

A proliferação do uso do mineroduto surgiu como alternativa para o escoamento da produção, devido aos altos custos do TRANSPORTE RODOVIÁRIO para volumes elevados de minério de ferro e à saturação da MALHA FERROVIÁRIA.

O investimento em novos RAMAIS DE FERROVIAS é considerado muito alto, o que assegura atratividade ao mineroduto. O ganho logístico gerado pelos minerodutos está ainda no fato de operarem 24 horas por dia, todos os dias.




A POLÍTICA NACIONAL DE RECURSOS HÍDRICOS e a POLÍTICA ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS DE MINAS GERAIS, regulamentada pelo Decreto 44.046, de 13 de junho de 2005, estabeleceu a cobrança pelo uso da água, até então sem nenhum ônus para as empresas.

BRUNO PORTOHOJE EM DIA

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