segunda-feira, 21 de outubro de 2013

AFINAL, QUEM SÃO OSBLACK BLOCS”?

Os problemas apontados por eles são reais e atormentam de fato o povo, mas a resposta dada por eles é que é inaceitável.

Por Mario Guerreiro – Doutor em filosofia pela UFRJ

In “OPINIÃO E NOTICIA” - 21 de outubro de 2013

Nas infindáveis marchas começadas em junho de 2013, aconteceu algo nunca antes visto neste país – só para usar uma das frases feitas preferidas do LULA – um grupo de mascarados dispostos a depredar tudo, destoando dos demais realizadores de protestos pacíficos.

Eles apareceram principalmente no RIO e em SÃO PAULO, embora também estivessem presentes, em menor número, em outros grandes centros urbanos. Receberam o nome de BLACK BLOCS(blocos de preto), porque se vestiam de preto e usavam máscaras pretas.

Alguns desses blocos portavam camisas e cartazes em que se podiam ver um A branco dentro de um círculo branco, símbolo inequívoco do ANARQUISMO.

Mas seriam eles defensores de uma ideologia anarquista ou se limitavam a usar traje e símbolo no sentido popular em que ANARQUISMO é sinônimo de baderna”, de liberou geral”?

Lembro-me que na baderna estudantil em PARIS, em maio de 1968, ocorreu algo semelhante a uma carnavalização, com slogans tais como: É proibido proibir”, “O imaginário no poder”, “Devemos desejar o impossível”, etc.

O que pretendiam os estudantes parisienses era, na realidade, “épater le bourgeois” (chocar o burguês), mas não consta ter havido muitos atos de vandalismo com depredações de patrimônio público e privado.

A prática de atos dessa natureza assinala uma importante diferença entre os BLACK BLOCSde junho de 2013 no RIO, e, em SÃO PAULO, por um lado, e os estudantes revoltosos em PARIS em maio de 1968, por outro.

Como os BLACK BLOCS” não se limitaram a depredar patrimônio somente privado, permitem levantar a suspeita de que não eram grupos de ativistas comunistas, mas sim portadores de uma revolta generalizada, incluindo partidos políticos e o próprio establishment.

Em síntese seu lema era: SOMOS CONTRA TUDO ISSO QUE AÍ ESTÁ, para usar uma das frases feitas de LEONEL BRIZOLA em sua campanha para presidente. Ou então aquele surrado refrão latino-americano: HAY GOBIERNO, SOY CONTRA!”

Não vai aqui nenhuma sugestão de que o ex-governador do RIO GRANDE DO SUL e do RIO DE JANEIRO fosse um anarquista.

Ficou bastante evidente que ele não era contra o ESTADO – visto como um mal desnecessário – mas sim como um bem necessário enquanto Estado totalitário de esquerda. DITADURA só é coisa ruim quando não é de esquerda…

Mas a pergunta já feita continua sem resposta: os BLACK BLOCS devem ser vistos como um bando de baderneiros, uma espécie de “REBELDES SEM CAUSA”, “CONTRA TUDO QUE AÍ ESTÁ” ou devemos encarar a baderna não como um fim em si mesmo, porém como uma maneira agressiva de expressar uma mensagem política?!

Alguns membros da classe artística, velhos participantes da esquerda festiva, bem como alguns membros da mídia, entenderam estar em jogo essa última alternativa.



Chegaram mesmo a fazer vista grossa para o prejuízo causado para os cofres públicos e para o patrimônio privado, e passaram a enaltecer os BLACK BLOCS como veículos expressando a forte indignação da opinião pública diante do GOVERNO e dos PARTIDOS POLÍTICOS como um todo.

Creio que há, de fato, bons motivos para essa indignação, mas também creio que ela se limita a uma pequena parcela da opinião pública esclarecida.

A maioria está satisfeita com o governo e com nossos 32 partidos políticos entendidos como expressão de um PLURALISMO DEMOCRÁTICO, não como um número excessivo prejudicando a qualidade da representação política.

Mas ainda que houvesse um grande número de cidadãos bastante insatisfeitos com o atual estado de coisas no país, a maneira democrática de expressar insatisfação não é depredando patrimônio público nem privado.

O VERDADEIRO PROTESTO ACONTECE NAS URNAS

Indignação, insatisfação, forte desejo de mudanças, etc. se expressam de maneira adequada nas urnas!

A grande vantagem da DEMOCRACIA é a rotatividade do PODER. Os eleitores podem até acabar acertando mediante reiterados ensaios e erros

Assumindo uma posição simpática em relação aos BLACK BLOCS, dizem os professores ESTHER SOLANO e RAFAEL ALCADIPANI:

“Das conversas que tivemos [com membros do BLACK BLOCS, com membros da mídia e policiais] e das observações que realizamos, ficou claro que para esses jovens a violência simbólica funciona como uma forma de se expressar socialmente, um elemento provocador que tem o intuito de captar a atenção de um ESTADO percebido como totalmente ausente”.
[SOLANO e ALCADIPANI: ‘BLACK BLOC’ visa chamar atenção de um Estado ausente. Especial para a FOLHA, republicado em REDE LIBERAL em 16/10/2013].

Discordamos veementemente! Cuspir na cara do outro é, sem dúvida, uma forma de expressão, porém uma ofensa jamais admissível como forma legal e legítima de expressão em povos civilizados.

Do mesmo modo, depredar patrimônio alheio e atirar pedras na polícia são formas de violência que nada têm de “simbólicas”: são infrações previstas em leis e devem ser punidas exemplarmente.

Se a finalidade dos BLACK BLOCS fosse fazer veementes protestos políticos – como de fato era a de outros grupos – poderiam verbalizar sua indignação, portar faixas e cartazes, etc.

Mas a maior prova de que não queriam ser identificados em seus atos de vandalismo é o uso das máscaras fora dos festejos de Momo.

A CONSTITUIÇÃO garante a todo cidadão fazer qualquer tipo de protesto pacífico, pois protestos fazem parte do direito de liberdade de expressão.

Todavia, no artigo em que ela fala do mesmo direito, acrescenta uma cláusula restritiva: É VEDADO O ANONIMATO”. Ou seja: quem protesta tem que assumir seu ato e mostrar a sua cara!

Ora, se a finalidade fosse “chamar a atenção de um ESTADO percebido como ausente”, a forma de chamar essa atenção seria fazer reivindicações objetivas e apontar as causas reais da indignação.

O ESTADO pode ser considerado ausente no sentido em que se mostra omisso diante de graves problemas que atormentam a nação, mas não é totalmente insensível ao clamor das ruas.

Prova disso é que o CONGRESSO se apressou em votar aquele PEC (PROPOSTA E EMENDA À CONSTITUIÇÃO) que retirava do MINISTÉRIO PÚBLICO a atribuição constitucional de realizar investigações. E, para a grande decepção dos corruptos que enlameiam nosso país, rejeitou o referido PEC!

Até mesmo a “PRESIDENTA” propôs, atabalhoadamente, uma reforma política como “panacea universalis”, isto é: como santo remédio para a cura de todas as nossas mazelas,

Quando seria prioritária uma REFORMA ADMINISTRATIVA destinada a remover as gorduras do ESTADO e, em seguida, uma REFORMA TRIBUTÁRIA para o grande benéfico de um generoso contribuinte sem um retribuinte à altura.

Ou seja, para usar uma sentença gasta, mas não sem validade: Pagamos impostos da SUÉCIA, mas recebemos como contrapartida serviços da BOLÍVIA!

Mas SOLANO e ALCADIPANI prosseguem mostrando-se simpáticos a esses marginais dos BLACK BLOCS”:

“Os jovens que utilizam a tática BLACK BLOC dizem usar uma violência teatral que chama a atenção para o que eles caracterizam como o verdadeiro vandalismo”.

Tal vandalismo seria uma ordem das coisas que engole o cidadão numa tirania contínua. Exemplos de frases que retratam isso são:

 - “A causa do BLACK BLOCS agir é o descaso público”.

 - “As pessoas estão sendo torturadas psicologicamente pelo cotidiano”.

 - “Não somos vândalos, vândalo é o ESTADO que deixa as pessoas horas esperando na fila do SUS”.

Se há algum mérito nesse artigo desses professores da Unifesp e da FGV-EASP este mesmo consiste em eles terem ouvido as falas dos BLACK BLOCSexpressando sua maneira de pensar e agir.

NOMES AOS BOIS.

Por sua vez, estas não são inteiramente desprovidas de mérito. Os problemas apontados por eles são reais e atormentam de fato o povo, mas a resposta dada por eles é que é inaceitável.

Eles negam ser vândalos, mas que outro nome daria a um bando de marginais que não só dilapidam patrimônio público e privado como também jogam pedras na polícia? Arruaceiros? Baderneiros?

Eles não só negam ser vândalos como também qualificam o ESTADO de vândalo. Fariam corretas atribuições, caso qualificassem o mesmo de “omisso”, “perdulário”, “indiferente aos graves problemas de segurança, educação e saúde do povo”.




Quem assalta bancos para dar dinheiro aos pobres, e, ou, para arrecadar fundos para a revolução – tanto faz um fim como o outro – é assaltante! Quem faz depredações e joga pedras na polícia é vândalo. E ponto final!

Vamos dar os nomes certos aos bois, e, não nos deixemos levar por esse pífio expediente retórico que consiste em atribuir incorretamente aos outros uma expressão desqualificante atribuída corretamente a nós.

Uma vez perguntaram a GANDHI o que ele achava da “LEI DE TALIÃO: OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE”. GANDHI respondeu: “Se a pusermos em prática, acabaremos todos cegos e desdentados”.

Pensando como pensava o grande líder pacifista, isto não impediu de fazer marchas e liderar vigorosos protestos. E acabou conseguindo a independência da ÍNDIA sem disparar um único tiro, nem promover depredações de patrimônio alheio.

Infelizmente, a maioria dos brasileiros ainda não adquiriu maturidade política, rejubila-se com bravatas juvenis como se fossem estas que pudessem melhorar nosso lamentável estado de coisas.

Um exemplo banal do cotidiano: se o orelhão não funciona, depredam o orelhão. Ora bolas! Ruim com ele, pior sem ele!


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