CONTOS
DO BLOG – “PASSAGENS DA EXISTÊNCIA... CORTINA DA ESPIRITUALIDADE...”
ð www.wilcostaesilva.blogspot.com
OBSERVAÇÃO:
Os contos que seguirão ao título acima, não terão uma ordem temporal; mas, sempre
serão uma obra de ficção, e, por conseguinte, por vivermos num ‘mundo conturbado’,
com ‘pessoas perturbadas’, muitos se sentirão impelidos a atacar e execrar o
texto, como se isso pudesse mudar a existência de um personagem ficcional.
Portanto, o olhar carinhoso e literário ao texto é a melhor recomendação a uma
peça ficcional, já que: “qualquer semelhança com a realidade será mera coincidência”.
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CONTO
1 – ABRINDO A CORTINA...
O problema não é saber que vamos morrer, isso ninguém vai escapar, mas, a questão é saber o que teremos quando a ‘cortina da existência’ se abrir, e, o que iremos ter como ‘divisor’ que veremos com essa abertura.
Nossa,
com quinze anos de idade, ouvindo uma pessoa de nosso convívio, bastante
madura, e, bem aborrecido com a própria existência, e, ainda, duvidando se a sutilidade
da vida foi realmente necessária ou benéfica, isso soava terrível.
Embora
encerrar o ciclo com naturalidade é a última grande obra de arte de um homem,
para um adolescente isso não é uma coisa muito interessante.
Ora,
mais maduro para sua própria adolescência e avido por ser adulto, compenetrado,
devorador de livros, sempre boas leituras, e, muito ligado às coisas humanas
que cercam a intensidade cultural e de civilizações, sempre procurando boas
referências para conhecimento, e, até à própria arte, que ia do clássico ao
popular, para a juventude a morte, ou, ‘partida’, como quiser chamar é algo tão
distante por alguém avido de vida.
Olhar
para trás já não traz arrependimento ou saudade dolorosa. O homem maduro vê
seus erros e acertos como pinceladas em uma tela que finalmente está pronta.
Ele encara a cortina da espiritualidade com a curiosidade de quem vai ler o
último capítulo de um livro excelente.
Acordei
assustado, com o coração em descompasso, o corpo suado, saindo de um sono
confuso, e, vendo-me num momento sinto que o ‘pesadelo’ foi o chamado de um
corpo caquético reclamando, ou, quem sabe, expulsando a própria vida que insistimos
em continuar, não obstante os caminhos percorridos e a convivência com muita
gente, nem sempre foi aceitável, e, muitas vezes toxicas por suas gênesis ruim,
só pioraram o que poderia ser qualidade de vida.
Mas,
as palavras acima de RUFUS que já atravessou a ‘cortina da existência’, ditas
há mais de meio século a um moleque que se achava bem antenado: soava com uma
detonação de ‘existência’ que o fazia pensar. Mas, ele, não obstante as suas ‘doideiras’
(nem tanto), em que questionava os hipócritas, os exploradores de pobres, e, num
comportamento burguês de tradicionais famílias de nossa cidade, as quais, ainda,
se achava senhores de ‘senzalas’ e tinham o direito sagrado de nos ‘comandar’.
Nossa eram ‘tiradas’ ótimas.
O
mais realista de RUFUS era quando atacava as religiões que segundo ele sempre manipulam
pessoas e as faziam viver como ‘robôs’ repetindo cânones e exigindo posturas de
outrens que nem sempre tinham. Só envelhecimento me ensinou essa triste
realidade, e, a falácia pregada por todas as religiões do mundo, não obstante
DEUS ser uma ‘quinta essência’, sempre existiu e existira uma distância desse ‘burburinho’
de mediocridade e limitação.
Vivemos
a corrução de uma vida curta e sem sentido, para servir a escravidão de algo
que nós limitamos em tudo o lado bom da existência. Por isso, sacrificarmos, e,
ou, somos manipulados por lideranças da fé. Seres decadentes, doentes, e,
carentes do próprio sentido de ‘existir’, como se fossem emissários da criação
que nem os próprios sentem, com a capacidade maléfica de retirar o lado bom de
sermos humanos: ‘frágeis’, porém, ‘intensos’.
A
experiência de viver a própria vida com autenticidade, ética e respeito mútuo
não depende necessariamente de rituais ou dogmas criados por terceiros. Essa
reflexão crítica que você traz é, na verdade, um passo importante para buscar
uma vivência mais livre e verdadeira.
A
espiritualidade deixa de ser um conceito religioso e vira uma presença
constante. Ele sente que abrir essa cortina é apenas voltar para casa após uma
viagem longa e exaustiva, mas extremamente rica.
Desperto,
embora com as roupas de dormir úmidas pelo próprio suor do terror dos pesadelos,
abri a janela, despi-me, saltei àquela abertura, e, desnudo, embora com esquálido
corpo, encontrei a noite cheia de estrelas, e, sentindo-se abraçado por um universo
que ainda não conseguimos interpretar, mas, sempre sabendo que àquilo é
infinito, quem sabe, talvez, seja filho das estrelas, pensando nisso, recuperei-me
de meus medos e acordei para os meus próprios sonhos existenciais.
Naquele
momento único e intenso, minha mente fez um "fed back" existencial,
e, a vida passou pelos pensamentos numa velocidade tão rápida, mas, com uma
constância de eventos e momentos, que irei descrever, sem uma ordem cronológica,
mas, com momentos que foram marcantes na passagem existencial, isso antes de
abrir a própria ‘cortina da espiritualidade’.
Olhar
para trás já não traz arrependimento ou saudade dolorosa. O homem maduro vê
seus erros e acertos como pinceladas em uma tela que finalmente está pronta.
Ele encara a cortina da espiritualidade com a curiosidade de quem vai ler o
último capítulo de um livro excelente.
As
crises do mundo, as correrias das cidades e as futilidades do cotidiano passam
a ter um brilho pálido. O que importa agora é a qualidade do suspiro, o calor
do sol na pele, o banho das estrelas na noite, o olhar carinhoso de seu
semelhante; e, a certeza de que a consciência é maior do que o corpo que a
abriga. Encerrar o ciclo com naturalidade é a última grande obra de arte de um
homem.
A
‘existência’ e a ‘essência’ caminham juntas através de uma espiritualidade
vivida, que dispensa dogmas e nada tem a haver com religião. Por isso, o divino
não está em templos ou rituais, mas na jornada solitária de cada indivíduo rumo
à sua própria verdade.
"Dentro
de ti há um silêncio e um santuário onde podes retirar-te a qualquer momento e
ser tu mesmo." — HERMANN HESSE
MESSIAS
LOLNEY STRADIVARIUS
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